segunda-feira, 4 de maio de 2009

Alta rotatividade

Pois que atire a primeira pedra quem nunca teve curiosidade de saber o que se passa dentro dos hotéis de paredes descascadas e cortinas rasgadas, que ficam próximos a terminais de ônibus com lanchonetes de qualidade duvidosa. Aqueles cujos bancos servem de descanso"público" e cujos pátios sempre estão abertos a pregação de uma nova doutrina ou para acolher o mais novo corpo cujo vida foi ceifada por uma "troca de gentilezas". Seja dia, ou seja noite....

Esses hotéis caracterizam-se pela ALTA ROTATIVIDADE. Parece redundante falar em alta rotatividade quando se está falando sobre hotéis, mas digamos que estes em especial, tem uma ALTA ALTA ROTATIVIDADE. Frequentado por moças desprovidas de bom gosto e que nunca sentem frio e homens que fazem de sua vida uma luta eterna contra a gravidade, esses hotéis tem se revelado uma fonte desconhecida de um habitat alternativo. Pois bem, munida de curiosidade, sono e pouco discernimento da realidade eu finalmente desvendei esse mistério...

Preparada para o pior saí de Curitiba em meio ao caos e fui para uma cidade do interior de São Paulo, na missão de acompanhante executiva do painel de um trabalho. Pois essa seria minha função, confirmada no evento em que o painel iria participar.
Após uma noite de solavancos e sudoku finalmente cheguei ao meu destino, mas eu não estava só. Eu tinha a recepção do melhor do sertanejo ((que ecoava na rodoviaria inteira)) e um papel com a reserva de um hotel. Ok, peguei o ônibus e tudo parecia bem até eu chegar ao meu destino.

Desci num terminal, bem, que poderia caracterizar o término do mundo. Tudo bem, eu tinha sono e uma cama de hotel me esperava. Foi quando me deparei com um grupo daqueles homens, lembra os que lutam contra a gravidade? Aglomerados, saindo felizes de um local... isso, pensou certo, saindo do "hotel" em que eu me hospedaria. Tudo bem, eles só tiveram uma noite feliz, e eu esperava ansiosamente pela minha cama...entrei no hotel.

Nos corredores cheiro de alfazema e carpete azul desbotado ((não é lenda, ele existe)). Era hora do café da manhã, cheguei a conclusão que aquele local devia ser algum tipo de "associação contra a gravidade". Na recepção uma moça relativamente limpa ((acreditem, não era algo comum no local)) me recebeu e logo percebi que o hotel é monitorado por câmeras de segurança. Ótimo, poderei dormir em segurança!
Feitos os trâmites legais subo em direção ao quarto, sim a escada era de madeira, sim, ela rangia!

Louca para tomar um banho vou verificar a situação dos banheiros que eram coletivos! Passei pelo primeiro, vejo um gentil senhor dar uma BELA ESCARRADA na pia. Ok, o próximo deve estar melhor. No próximo vejo marcas de barro e destruição até o teto. Sem problemas, tem mais um...ao ver o estado deste decido não tomar banho e tampouco esvaziar minha bexiga.

Chegando ao quarto...humm..que aroma de...MACONHA! Alugue um quarto e ganhe uma sessão de "relaxamento" grátis. Sem problemas..eu só preciso dormir, dormir entende??? Ao verificar que os lençóis estavam limpos me deitei...travesseiro exalando erva. O relaxamento era completo e infalível...tudo bem, eu só quero dormir.. posso estender a toalha que minha vó me deu no dia anterior e dormir sobre ela ((santa avó..ela previu tudo)). Senti frio...fui buscar uma coberta. Ao abri-la me deparo com.... QUÊ?... inúmeros furos feitos por cigarros de ervas. Desistindo da vida e totalmente esgotada coloco meu casaco e desmaio sobre a toalha.

.....algumas horas depois......

Tentar descrever meu desespero e desamparo ao acordar seria inútil. Só posso dizer que lembro de flashes.... o primeiro me diz que os pombos são o símbolo da degradação...ao abrir a janela me deparo com milhões me espiando, prontos para me assassinar, rindo na minha cara.. desesperada me viro para a parede, aquele escorrido amarelo não devia ser resultado de uma pátina malfeita...em pânico junto minhas coisas e saio correndo do quarto...era hora do almoço, o cheiro de podre que tomava conta do corredor era "embriagante"...quis escovar os dentes, mas tive medo de pegar na torneira... enfim desisti de viver de novo, fechei minha conta e saí correndo de lá..

Após recobrar o pouco do juízo que a maconha não torrou comecei a listar todos os sarnicidas, vermífugos e vacinas que deveria tomar.... dos males o menor.. ganhei anticorpos para males que nem sabia que existiam...

Mas de tudo isso fica a lembrança mais forte....ainda lembro do sorriso malicioso da recepcionista quando fui fechar a conta: "mas você ficou tão pouco tempo!".....

Engraçadinha...Como se ela não estivesse acostumada com isso...

terça-feira, 21 de abril de 2009

52 seconds

Know I'm part of something greater than myself
Don't know the meaning of it but I hope that matters less
I don't know anything when I'm factored out of scale
I know I'm part of something greater than myself
We're all engaging in a game of attrition
Maybe god is just a chemical fiction
I'm a monkey with a madding affliction
With fact checking for a mental condition
I know I'm part of something greater than myself
Don't know the meaning of it but I hope that matters less
I don't know anything when I'm factored out of scale
I know I'm part of something greater than myself